Faz tempo que eu não escrevo no tumblr. Desde o meu aniversário de 18 anos, quando ganhei meu pequeno caderninho que faz a mágica da minha alma soar, parei de me expressar publicamente.
Isso é ruim. Muito ruim. Nada saudável, para ninguém. Em especial para mim.
Passei a mal me comunicar com muitos dos meus amigos, diga-se de passagem. Talvez as coisas fossem diferentes se esse contato, exatamente no último semestre na UTFPR não tivesse se perdido. Entretanto, aqui estou, na USP, com algumas poucas pessoas que me comunico regularmente.
Há não muito tempo atrás, eu ficaria me perguntando se elas sentem falta de mim. Essa dúvida ainda me perturba, mas não é mais essa resposta que busco.
Ainda desejo saber o que há de errado. Essa historinha de me mudar três vezes em duas semanas não foi saudável. Estou estressado. Não conseguir estudar para nenhuma das duas universidades me deixou em pânico. Mal entendi Integrais e não sequer comecei a lista de Manufatura Integrada. E tem prova semana que vem. E na outra também. E na outra. E na outra.
Férias? O que é isso mesmo? Nem me lembro.
Parece que tudo isso faz parte de uma história qualquer. Uma história de estudante esforçado qualquer. Mas não posso pensar assim. É a minha história. Minha vida. Já me disseram que ao entrar na universidade, se você era alguém no ensino médio, você passa a ser ninguém lá dentro. Menos que isso, até. Nada do que aconteceu antes importa.
Isso só pode estar errado. Tenho certeza que está.
Só o que tenho é meu passado. É nele que devo confiar. Meu passado me define.
Nesse instante, desejo relembrar meu passado. Não todo ele, mas apenas o ano de 2012. E é quando percebo que… Aconteceu muita coisa nele. Muita mesmo.
De forma resumida, lembro das férias em Cascavel, em janeiro, que lembro muito bem de ter aproveitado prometendo serem “as últimas” (e acertei!). Depois, retornei no Carnaval e fui para a casa dos amigos do meu primo no carnaval, quando viajei para o Rio Iguaçu e fiz a primeira pesca noturna e passei um tempo incrível.
Depois, me lembro da ansiedade do sétimo período. De estudar pneumática. De iniciar meu estágio obrigatório, no NUFER, com todos os projetos de robôs, crânios, consertos de computadores e seladoras que tive que fazer. Comendo muito bolo.
Lembro do nervosismo da greve. Do meu breve momento de ativista, participando e falando de todos os movimentos. De começar o cursinho. De esquecer do resto do mundo e estudar para o vestibular. O sonho era uma tal de USP, mas passei a desejar uma tal de UFPR também. Comecei cético, mas aprendi a amar aquele ambiente.
Ah, sim. Teve as longas manhãs no EducationUSA. As aulas de inglês no Palladium, com a bolsa do Interamericano.
E, apesar que pareça que foi há muito tempo… O EIP Brasília foi em julho do ano passado. A primeira das diversas viagens de avião que fiz no ano passado. O primeiro dos inúmeros momentos life-changing no ano passado.
Lembro das provas de vestibular. Da falta que meus amigos faziam. Da vontade de simplesmente deitar na cama e fazer o que eu quisesse. Recordo de cada esforço que fiz. Aprendi a simplesmente não me importar, e simplesmente fazer.
Entretanto, antes que eu sequer possa pensar que não valeu a pena…
Ano passado, fui finalista do Jovens Embaixadores e fui para a Imersão em Brasília. Fui escolhido aluno do Opportunity Grants. Garanti o melhor coeficiente da minha turma. Fiz meu estágio obrigatório. Fui medalhista de prata da Olimpíada de Astronomia e bronze da Olimpíada de Matemática. Tirei pontuações muito boas no SAT de Matemática e no TOEFL. Ganhei bolsa integral na melhor escola de inglês da cidade. Ganhei um ótimo desconto num dos melhores cursinhos da cidade. Iniciei meu projeto voluntário criando um grupo de Lógica na sala de recursos de Altas Habilidades/Superdotação do Instituto de Educação. Apliquei para universidades americanas de ponta.
Sem contar as aprovações: passei na USP em terceiro lugar em Ciências Biomoleculares, UFPR em terceiro lugar em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, UFRJ em Nanotecnologia e PUC-PR em Medicina com bolsa integral do ProUni. Em terceiro também.
Sem contar a coroação: ser um Jovem Embaixador. No dia que pareceu que meu mundo caiu (ao menos meu telhado sim), lembro de cada passo na universidade ao chegar no meu antigo laboratório de projetos e ver o resultado. A ansiedade em cada email. Conhecer a Casa Branca. Ter a chance de conhecer pessoas incríveis. Fazer os melhores amigos que já tive. (Na verdade, amigas, e elas sabem quem são). Ganhei até uma nova família.
Aprendi até a jogar peteca em 2012. E quase me esqueci da minha viagem de cruzeiro. Pera aí. Ainda tive um cruzeiro nesse ano? Visitei Búzios e Ilhabela, passei uma semana num navio de luxo e estava quase me esquecendo! E assim as coisas são.
E tem gente que ousa me dizer que devo esquecer meu passado. Ele é tudo o que tenho agora. Não é porque apertei o botão reset que a memória foi apagada, não. Ela permanecerá comigo. Para sempre.
Talvez tenha errado muito com pessoas no ano passado. Poderia ter melhores amigos. Poderia ter uma relação amorosa, talvez. Estranho ainda não conseguir definir minha felicidade com tudo isso.
As coisas estão difíceis agora. Não ter férias, conciliar ensino médio e faculdade, mudar de cidade e o mais importante, não ter dinheiro para simplesmente nada é difícil. O jeito é continuar na luta.
Talvez eu seja mais um no mundo. Tenho um medo desgraçado de decepcionar um monte de gente. É o que eu menos quero.
Ainda assim…
Prefiro pensar que ainda tenho minha luz especial. É quase como uma estrela: o brilho dela está lá, mas ninguém olha para o céu.
Isso não muda o fato de a estrela continuar a brilhar e ser incrível. Só espero que mais gente consiga ver esse brilho.
Minha filosofia de vida continuará sendo… Para tudo tem um jeito.
Só tenho que lembrar disso.